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Friday, March 24, 2006

Laboratório anuncia o primeiro boi reprodutor transgénico

O laboratório argentino Bio Sidus anunciou o nascimento de "Pampero", o primeiro boi transgénico, que faz parte de uma linhagem de bovinos obtida por clonagem e que será destinada à produção do hormónio do crescimento humano.
A partir de "Pampero", o laboratório poderá reproduzir, por meio de métodos clássicos de fertilização, vacas transgénicas que tenham no seu leite a proteína humana hGH (hormónio do crescimento), utilizada no tratamento do nanismo, entre outras doenças.
"Pampero" é filho de "Pampa Mansa", bezerra da raça jersey concebida por clonagem e geneticamente modificada pela inserção do gene da proteína hGH.
O Bio Sidus, que em agosto de 2002 conseguiu a primeira clonagem de bovinos na América Latina, planeia produzir o hormónio de crescimento numa escala maior e com custos menores para o seu uso no tratamento do nanismo hipofisário, um transtorno que afecta cerca de 1.500 crianças só na Argentina.
A ausência ou déficit da hGH, produzida naturalmente pelo ser humano, provoca a falta de crescimento ósseo, deixando os indivíduos com baixa estatura.
Até agora, o tratamento da doença é caro, pois o hormónio do crescimento humano é obtido em laboratório, com um baixo volume de produção e com altos custos, para elaborar o remédio específico HHT.
Com isso, muitas crianças com nanismo não podem ser tratadas. Na Argentina, por exemplo, cada dose do remédio, que deve ser aplicado diariamente desde a infância até o fim da puberdade, custa cerca de cem dólares.
Graças ao novo método de produção, o preço de cada dose será pelo menos 50% mais baixo.
Essa redução dos preços deve-se ao fato de que, segundo os cálculos, cada vaca gerará cinco quilos de hormónio de crescimento por ano, uma quantidade muito superior do que a produzida em laboratório.
"Neste modelo, o hormónio do crescimento humano, presente no leite dos bovinos, deverá ser isolado e purificado no laboratório até a sua máxima homogeneidade (proteína pura) para poder elaborar um remédio injectável, eficaz e seguro", explicou o Bio Sidus em comunicado.
O laboratório argentino já investiu no projecto cinco milhões de dólares e planeia destinar outros dois milhões até chegar à produção dos remédios.
O Bio Sidus, que encerrou o ano de 2004 com um faturamento de 25 milhões de dólares, espera um grande crescimento do mercado mundial da hGH, pois o hormónio, além de ser utilizado no tratamento contra o nanismo, poderia ser usado em casos de "síndrome de desgaste" ("wasting") associada à SIDA e em tratamentos de rejuvenescimento.

EFE

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