bioworld

Friday, March 24, 2006

Laboratório anuncia o primeiro boi reprodutor transgénico

O laboratório argentino Bio Sidus anunciou o nascimento de "Pampero", o primeiro boi transgénico, que faz parte de uma linhagem de bovinos obtida por clonagem e que será destinada à produção do hormónio do crescimento humano.
A partir de "Pampero", o laboratório poderá reproduzir, por meio de métodos clássicos de fertilização, vacas transgénicas que tenham no seu leite a proteína humana hGH (hormónio do crescimento), utilizada no tratamento do nanismo, entre outras doenças.
"Pampero" é filho de "Pampa Mansa", bezerra da raça jersey concebida por clonagem e geneticamente modificada pela inserção do gene da proteína hGH.
O Bio Sidus, que em agosto de 2002 conseguiu a primeira clonagem de bovinos na América Latina, planeia produzir o hormónio de crescimento numa escala maior e com custos menores para o seu uso no tratamento do nanismo hipofisário, um transtorno que afecta cerca de 1.500 crianças só na Argentina.
A ausência ou déficit da hGH, produzida naturalmente pelo ser humano, provoca a falta de crescimento ósseo, deixando os indivíduos com baixa estatura.
Até agora, o tratamento da doença é caro, pois o hormónio do crescimento humano é obtido em laboratório, com um baixo volume de produção e com altos custos, para elaborar o remédio específico HHT.
Com isso, muitas crianças com nanismo não podem ser tratadas. Na Argentina, por exemplo, cada dose do remédio, que deve ser aplicado diariamente desde a infância até o fim da puberdade, custa cerca de cem dólares.
Graças ao novo método de produção, o preço de cada dose será pelo menos 50% mais baixo.
Essa redução dos preços deve-se ao fato de que, segundo os cálculos, cada vaca gerará cinco quilos de hormónio de crescimento por ano, uma quantidade muito superior do que a produzida em laboratório.
"Neste modelo, o hormónio do crescimento humano, presente no leite dos bovinos, deverá ser isolado e purificado no laboratório até a sua máxima homogeneidade (proteína pura) para poder elaborar um remédio injectável, eficaz e seguro", explicou o Bio Sidus em comunicado.
O laboratório argentino já investiu no projecto cinco milhões de dólares e planeia destinar outros dois milhões até chegar à produção dos remédios.
O Bio Sidus, que encerrou o ano de 2004 com um faturamento de 25 milhões de dólares, espera um grande crescimento do mercado mundial da hGH, pois o hormónio, além de ser utilizado no tratamento contra o nanismo, poderia ser usado em casos de "síndrome de desgaste" ("wasting") associada à SIDA e em tratamentos de rejuvenescimento.

EFE

Chave para a regeneração: Células de Veado

Células-tronco em chifres de veados podem conter a chave para o segredo da regeneração de membros, acreditam cientistas do Royal Veterinary College de Londres. Um novo estudo demonstra que a regeneração das galhadas usa um mecanismo parecido com o do desenvolvimento de membros.
Ambos dependem de células-tronco, que são células imaturas com capacidade de transformar-se em diferentes tipos de tecido. Ao compreender como o processo se dá, os cientistas poderiam chegar perto de um dos sonhos da medicina: restaurar pernas e braços perdidos em amputações.
MamíferoAnfíbios como a salamandra tem a capacidade de regenerar partes do corpo, mas os veados são o único exemplo de mamíferos que conseguem ter um órgão complexo, a galhada, completamente recuperado, depois de cortado.
Os chifres são feitos de ossos que crescem, morrem, caem e voltam a crescer. Apesar de estarem mortas quando são usadas para lutas, enquanto estão crescendo, as galhadas são compostas de ossos vivos, cartilagem, vasos sanguíneos e tecidos fibrosos cobertos de pele.
A nova pesquisa aponta para um mecanismo regenerativo diferente do das salamandras. O crescimento de novas galhadas não envolve atrasar o relógio biológico para que as células voltem ao estágio de imaturidade.
No caso dos veados, células-tronco são estimuladas e usam os métodos normais de desenvolvimento, renovação celular e reparação para desenvolver um novo órgão. A chefe da equipa de pesquisa, Joanna Price, avalia que "a regeneração das galhadas continua a ser um dos mistérios da biologia, mas estamos a caminhar na direção de entender como ela funciona".
A pesquisa também indica que a sinalização molecular é importante. Os veados usam as mesmas moléculas compartilhadas por todos os mamíferos, mas de uma forma diferente.
Apesar de ainda estarem longe de entender todo o processo químico e poder aplicá-lo em humanos, os pesquisadores estão optimistas que a longo prazo vão poder também desenvolver novos tratamentos para doenças como a doença de Parkinson.

BBC Brasil

Cientistas querem fazer clone meio humano meio coelho


Um grupo de pesquisadores da universidade londrina de King's College anunciou que pretende clonar embriões a partir de óvulos de coelho e núcleos de células humanas. Os embriões seriam formados, na maior parte, por matéria procedente de coelhos, mas teriam DNA humano e seriam usados exclusivamente na pesquisa sobre o desenvolvimento de células-tronco e doenças genéticas, explicou o professor Chris Shaw, chefe da equipa londrina.
Segundo a lei actual, eles somente poderiam se desenvolver por 14 dias e, em hipótese alguma, poderiam ser implantados no útero de uma mulher. Shaw reconheceu que, para levar adiante o seu projecto, o grupo precisa de uma autorização formal da autoridade britânica responsável pela fertilidade humana e embriologia (Hfea).
Sobre o uso de coelhos, o cientista o atribuiu a "querer encontrar fontes alternativas para se procurar óvulos (...) A fertilidade dos coelhos é lendária, e seria possível usar células humanas e transferir o seu núcleo para óvulos de coelhos". Segundo Shaw, "legalmente, a situação não é clara, mas é algo que gostaríamos de discutir com a Hfea".

in JB Online

Descoberto gene relacionado com asma

Cientistas britânicos descobriram o gene que provoca a secura na pele e que favorece a aparição do eczema e da asma, segundo um estudo publicado no último número da revista Nature Genetics. Segundo a pesquisa, esta descoberta poderia facilitar novos tratamentos para curar doenças que afectam milhões de pessoas.
Para os cientistas da Universidade de Dundee (Escócia), autores do estudo, este gene produz uma proteína chamada filagrina, que contribui para a formação de uma camada protectora na pele.
A filagrina, abundante nas camadas mais externas da pele, forma uma barreira que retém a água para evitar a secura e evitar a entrada de bactérias e vírus. A sua escassez provoca ressecamento da pele e produz escamas.
O diretor da pesquisa, Irwin McLean, disse que, apesar de a existência deste gene ser conhecida há 20 anos, a sua análise foi complicada. "Este achado é como o amanhecer em uma nova era para a compressão e tratamento do eczema e da asma vinculada a essa afecção cutânea", indicou o diretor.
McLean disse que esta descoberta é só o começo: "Se compararmos a doença com um edifício em chamas, isto seria como se tivéssemos jogado uns cubos de gelo no telhado".
"Mas agora sabemos exactamente onde está o fogo e podemos colocar as nossas mangueiras e combater a raiz do problema", acrescentou McLean.

Estudo descobre gene regulador do envelhecimento


Estudo desenvolvido nos Estados Unidos com ajuda de cientista brasileiro mostra que o envelhecimento é um processo regulado e não simplesmente natural. Eles descobriram que essa regulação é feita por um determinado gene, que recebeu o nome de Smk-1.
Segundo a Agência Fapesp, a partir do entendimento do processo de regulação será possível imaginar que o aumento do tempo de vida através da insulina, mecanismo conhecido há duas décadas, pode ocorrer de forma directa sobre o factor da longevidade sem que ocorra perda de outras funções (reprodução e resposta ao stress).
Entretanto, segundo Gustavo Maciel, médico e cientista brasileiro que participou da equipa que desenvolveu o trabalho nos Estados Unidos, muitos estudos serão necessários até que um passo efectivamente prático possa ser dado.
O estudo realizado no Instituto Salk, na Califórnia, serve também para evidenciar a importância que os modelos biológicos têm na ciência actual. Os estudos foram feitos com o verme C. elegans, que apresenta aproximadamente 40% de similaridade genética com os seres humanos, percentagem considerada alta pelos cientistas.

in JN

Cientistas descobrem gene do metabolismo da gordura


Um grupo de cientistas americanos identificou um gene que oferece uma nova pista sobre a obesidade e pode levar ao desenvolvimento de novos medicamentos para o controlo do metabolismo da gordura. Segundo a Agência Fapesp, os pesquisadores da Universidade do Estado de New Jersey (Rutgers), Estados Unidos, encontraram novos dados no funcionamento molecular da proteína resultante do gene estudado.
A proteína conhecida como lipina é uma enzima importante no processo de regulação da gordura. "A actividade da lipina pode ser um alvo farmacêutico importante para o controlo da gordura corporal em humanos, levando ao tratamento de condições que vão da obesidade à perda de peso em portadores de HIV", disse George Carman, líder da pesquisa.
Estudos anteriores com camundongos mostraram que a falta de lipina causa a perda de gordura, e que o excesso promove o acúmulo de uma quantidade extra, o que levou à conclusão de que a substância estaria envolvida com o metabolismo da gordura. Só não se sabia como.
Em artigo a ser publicado em Abril no Journal of Biological Chemistry, os pesquisadores descrevem que a lipina é uma enzima do tipo PAP, um catalisador protéico necessário para a formação de gorduras, especialmente triglicerídios.
O grupo tomou como modelo de estudo o fermento biológico (Saccharomyces cerevisiae) usado por padeiros. "Isolamos a enzima PAP do organismo que corresponde na forma à lipina em mamíferos e verificamos que as células sem a enzima apresentaram uma redução de 90% de gordura", explica Carman.
Experiência mostrou relação entre elementos
Os pesquisadores analisaram a sequência de aminoácidos que formavam a enzima, o que permitiu rastrear a origem do processo até o gene responsável pela activação, o PAH1. Para confirmar a relação, introduziram em bactérias o gene recém identificado. Os resultados foram similares.
A equipe da Rutgers verificou em seguida que a enzima codificada pelo gene PAH1 não apenas era semelhante como actuava de forma muito parecida com a lipina encontrada em mamíferos, deduzindo dali a relação entre a enzima PAP e a lipina.

in Revista Super Interessante

Cuar apara Diabetes uma realidade cada vez mais próxima


Diabetes pode ter cura em dez anos
O transplante de células de porcos produtoras de insulina pode significar a cura da diabetes, segundo uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Minnesota.
Os pesquisadores conseguiram curar a doença em macacos, que receberam as chamadas células-ilhota do pâncreas dos suínos. Cientistas já haviam conseguido curar a diabetes do tipo 1 em humanos por meio de transplante de células-ilhota de humanos, mas a demanda por esse tipo de células ultrapassa a capacidade de produzi-las." Os resultados sugerem que é viável usar células-ilhota de porcos como um caminho para a cura de diabetes", comentou o director do estudo.Segundo ele, testes em humanos podem começar nos próximos três anos. Mas ele avalia que o procedimento somente estaria pronto para ser usado amplamente dentro de uma década. Com um transplante como esses, o paciente não precisaria mais tomar injecções de insulina regularmente. Além disso, a cura evitaria complicações da diabetes como danos ao coração e ao sistema sanguíneo, aos olhos, ao sistema nervoso e aos rins. Os cientistas dizem que o transplante de animal para humano pode ser necessário a fim de tornar essa técnica viável para a cura de milhares de pessoas que sofrem de diabetes. Para evitar problemas de rejeição das células dos porcos, os pesquisadores trabalharam para aperfeiçoar uma combinação de medicamentos. "Agora que identificamos caminhos críticos envolvidos no reconhecimento imunológico e rejeição de células-ilhota transplantadas de porcos, podemos começar a trabalhar melhor e de forma mais segura em terapias com o eventual objectivo de tratamento em pessoas."


www1.folha.uol.com.br

Monday, March 20, 2006

Clonagem humana - uma perspectiva geral

Clonar significa produzir uma cópia geneticamente idêntica de um indivíduo.
Como é que isto se faria? Os cientistas tirariam o seu ADN de uma célula epidérmica e colocavam-no num ovo de uma mulher da qual foi previamente retirado o ADN. Uma faísca de electricidade iria dividir o ovo e após alguns dias teria um embrião geneticamente igual a si.
Tem-se falado muito de clonagem humana na imprensa. Na realidade, a maioria dos cientistas não está interessada em produzir clones humanos. O que os cientistas pretendem é produzir células humanas clonadas que possam ser utilizadas para tratar algumas doenças.
Como? Imagine que tinha uma doença que estava a destruir lentamente partes do seu cérebro. Os tratamentos actuais apenas reduzem os sintomas enquanto a doença continua a provocar lesões no cérebro. A clonagem oferece a esperança de uma cura.
Os cientistas iriam produzir um embrião clonado utilizando o ADN das suas células epidérmicas. Em seguida, iriam retirar células estaminais deste embrião, transformavam-nas em células cerebrais e fariam um transplante para o seu cérebro.
A clonagem é uma maneira diferente de utilizar células estaminais para curar uma doença. Algumas pessoas preferem esta forma de obter estas células. Afinal, um embrião clonado é uma cópia genética de alguém que está vivo e deu o seu consentimento. Todos temos o direito de decidir o que fazer com o nosso próprio ADN, ou não?
Pelo contrário, um embrião no congelador de uma clínica de fertilização foi criado a partir de uma mistura única de esperma e ovo e esta é uma união que só irá acontecer uma vez, produzindo um conjunto completamente único de genes que tem o potencial de se tornar num indivíduo único.

Outras fontes de células estaminais humanas

Muitos cientistas consideram que as células estaminais embrionárias são ideais para tratar doenças uma vez que se multiplicam consideravelmente e se podem diferenciar em todas as células e tecidos do organismo.
Para evitar as barreiras éticas e políticas que cercam as células estaminais retiradas dos embriões, os cientistas estão à procura de fontes alternativas.Uma fonte promissora de células estaminais poderia ser a medula óssea de um adulto. As células estaminais da medula óssea dos adultos produzem normalmente glóbulos vermelhos e células da medula óssea.
Até há pouco tempo, os cientistas pensavam que era impossível a estas células da medula óssea "voltar atrás no tempo" e reinventarem-se a elas próprias para produzirem tipos de células completamente diferentes como, por exemplo, células do cérebro, células nervosas, do intestino ou da pele.
No entanto, nos Estados Unidos os cientistas identificaram, recentemente, uma célula estaminal da medula óssea de adultos que pensam poder desenvolver-se noutro tipo de células. "É algo de extraordinário", afirma o perito em células estaminais Austin Smith do Centre for Genome Research em Edimburgo, Reino Unido.
Não só as células estaminais retiradas de um adulto com o seu consentimento seriam eticamente aceitáveis para a maioria das pessoas e governos, como seriam também melhores para os pacientes. Imagine que padece de uma doença que está a matar as células do cérebro. As células estaminais poderiam ser retiradas da sua medula óssea, seriam manipuladas no laboratório para se tornarem em células cerebrais e voltariam a ser implantadas no seu cérebro - não existindo, assim, uma rejeição imunitária do transplante.
Caso funcione, esta é uma perspectiva muito entusiasmante. Os primeiros resultados parecem promissores, mas os cientistas não tem conhecimento da versatilidade exacta das células estaminais da medula óssea. Estão muito mais confiantes acerca do que as células estaminais dos embriões possam fazer.
Finalmente, tipos diferentes de células estaminais poderiam resultar mais eficazmente em tratamentos de doenças diferentes, por isso, a maioria dos cientistas optaria por continuar a investigação de ambos os tipos.
Uma última opção como fonte de células estaminais é o sangue do cordão umbilical que normalmente é eliminado no parto. Algumas empresas oferecem-se agora para recolher o sangue da placenta e, através de uma taxa, armazenam-no caso a criança venha a adoecer.
Estas empresas defendem que as células estaminais recolhidas desta forma podem ser utilizadas para tratar problemas sanguíneos como, por exemplo, leucemia e algumas perturbações genéticas e imunitárias. No futuro, o sangue do cordão umbilical poderá vir a ser uma fonte de células estaminais para curar acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, a doença de Parkinson e a distrofia muscular.
A particularidade da recolha destas células é que estas são retiradas sem afectar a mãe ou a criança. São também 100% compatíveis com o bebé caso este venha alguma vez a desenvolver uma doença.
Além disso, estas empresas argumentam que o sangue do cordão umbilical do bebé também poderá também ser uma fonte de células estaminais compatíveis com familiares do bebé - irmãos e irmãs, pais e avós.
Por alguns milhares de dólares, o que lhe parece?

De onde vêm os embriões humanos?

Existem actualmente pelo menos 100 000 embriões excedentários armazenados em congeladores por toda a União Europeia.

Estes embriões foram criados como uma fase de rotina dos tratamentos da esterilidade (FIV). Um único ciclo de tratamento de FIV envolve normalmente a fertilização simultânea de vários ovos. De seguida, vários ovos fertilizados são reimplantados na mãe e os restantes são congelados, caso a primeira tentativa de gravidez não seja bem sucedida.
Se a mulher sujeita à FVI engravidar de imediato, o casal pode optar por não utilizar os restantes embriões. Em alguns países, os casais podem optar por doar os embriões para investigação ou pela sua eliminação.
No entanto, nunca chegou a ser tomada uma decisão sobre o destino de alguns embriões armazenados. Nos últimos 20 anos, desde o início da FIV, muitos dos dadores de ovos e esperma mudaram de casa, voltaram a casar e mudaram de nome ou talvez até já tenham morrido. As clínicas de fertilidade podem não conseguir encontrá-los. O destino de muitos embriões armazenados é, por isso, incerto.
Uma segunda fonte de embriões para o fornecimento de células estaminais, ainda mais controversa, seria a criação de embriões somente para investigação ou tratamento. Nunca existiu qualquer intenção de os implantar numa mulher. A criação de um embrião com esta finalidade é considerada por muitas pessoas (e por alguns governos) como eticamente errada.
Contudo, já existem milhões de espermatozóides e milhares de ovos não fertilizados congelados em clínicas de FIV em toda a Europa. Se os espermatozóides fossem utilizados para fertilizar os ovos, existiriam ainda mais embriões para fornecer células estaminais de modo a curar doenças.
Existe uma última forma de obter embriões humanos, nomeadamente a utilização da técnica da clonagem. Tal envolve a criação de um embrião humano que contenha a composição genética completa de alguém que já está vivo. Se implantado no útero da mulher, o embrião podia teoricamente desenvolver-se num clone (uma cópia geneticamente igual) dessa pessoa. Se utilizado para investigação, o embrião poderia fornecer células estaminais para curar doenças.

Células estaminais - investigação inconclusiva


A ciência tem estudado a utilização de células estaminais nas mais diversas patologias Parkinson, diabetes, Alzheimer, doenças do foro cardíaco e carcinomas. O presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular, Rui Reis, considera que a congelação de células do bebé "pode ser muito interessante", mas reconhece que ainda não existe forma de as aplicar para o tratamento de doenças.A Bebevida, que se lança agora neste serviço, propõe aos pais a "possibilidade de salvar a sua vida e a do seu filho" . A empresa disponibiliza a conservação de células estaminais do bebé durante 25 anos com a finalidade da sua utilização "na terapia de diversas doenças" e cobra 1.465 euros (perto de 293 contos) por este serviço. Perante o crescimento deste tipo de serviços, o Grupo Europeu de Ética alertou recentemente para o "engano" que é congelar células do cordão umbilical para a utilização futura do dador, já que é raríssimo o seu uso no tratamento de doenças. Este órgão consultivo da Comissão Europeia especifica que "a probabilidade de se precisar de um transplante autólogo [de tecidos provenientes do próprio dador] está estimada em aproximadamente um em cada 20 mil casos, durante os primeiros 20 anos de vida". O Grupo Europeu de Ética alerta também que "não foi ainda demonstrado que as células que se destinam a ser utilizadas em transplantes possam ser armazenadas por mais de 15 anos". Apesar da intensa investigação realizada "não foi ainda demonstrada nenhuma prova evidente da utilidade das células estaminais". Assim, é "altamente hipotético que as células do cordão umbilical mantidas para utilização no dador tenham algum valor no futuro", frisa o Grupo Europeu de Ética.

Células estaminais em Portugal já são bom negócio

Pais ansiosos estão a pagar mil euros pela conservação do sangue do cordão umbilical dos filhos, "comprando" um serviço cada vez mais procurado, mas cuja aplicação ainda não foi cientificamente demonstrada. "Uma oportunidade única que pode proteger o seu filho" ou "salve a vida do seu filho" são as frases com que duas empresas que se dedicam à conservação do sangue do cordão umbilical apresentam os seus serviços.O presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Daniel Pereira da Silva, disse que cada vez mais é confrontado com dúvidas de mulheres que o questionam sobre se devem ou não recorrer a este serviço. É uma pergunta difícil de responder a grávidas ansiosas que, naturalmente, estão dispostas a tudo para proteger a saúde do seu filho. Daniel Pereira da Silva alerta, contudo, que se trata de "um investimento, com custos eJoaquim Silva Neves, ginecologista e obstetra do Hospital Santa Maria, em Lisboa, há algum tempo que é confrontado com o pedido de grávidas para a recolha do sangue do cordão umbilical após o parto. O número de pedidos, aliás, não pára de aumentar e sobre a colheita este médico não levanta qualquer objecção. No entanto, alerta para as poucas hipóteses de sobrevivência das células estaminais que, durante o corte do cordão, tendem a migrar para o bebé. "Podemos recolher sangue e não estar lá nenhuma célula estaminal", disse. O ginecologista e obstetra duvida da aplicação das células recolhidas desta forma e se alguma vez virão a ser utilizadas pelos dadores (bebés). "Ainda não há aplicação prática deste material e nem sequer prova de que sobrevivem ao fim de 15 anos de criopreservação", disse. Mas a Crioestaminal, a primeira empresa a fornecer em Portugal o serviço de conservação de sangue de cordão umbilical, e a Bebevida, que brevemente entrará em funcionamento, apresentam-se como capazes de proporcionar a salvação de doenças futuras através das células estaminais recolhidas no sangue. As duas empresas disponibilizam o kit de recolha, no qual é colocado o sangue pela equipa médica após o parto, e o seu transporte para os laboratórios situados em Bruxelas (Crioestaminal) e Londres (Bebevida). O custo total cobrado pela Crioestaminal pelo serviço de isolamento e criopreservação por 20 anos é de 985 euros (cerca de 200 contos). Luís Gomes, da Crioestaminal, explicou que, desde Julho de 2004, cerca de 3.000 pais recorreram aos serviços da empresa, desembolsando 3 milhões de euros (cerca de 600 mil contos) por este serviço. Com esta medida, os pais acreditam que estão a fazer uma espécie de seguro para o bebé. "A recolha das células estaminais do sangue do cordão umbilical, normalmente descartado durante o parto, poderá constituir para o dador um seguro, permitindo fazer terapia celular com células próprias em determinadas doenças, sem necessidade de se submeter a listas de espera para a doação de tecidos histocompatíveis ou sem ter que arriscar terapias com tecidos não compatíveis", propõe a Crioestaminal. Luís Gomes reconhece que, nos hospitais portugueses, ainda não se praticam as técnicas de reconstituição de tecidos ou órgãos com células estaminais. conómicos significativos, que deve ser visto como uma potencialidade e não uma realidade".


Noticia JN

Afinal o que são células estaminais?

As células estaminais são células extraordinárias cujo destino ainda não foi "decidido". Podem transformar-se em vários tipos de células diferentes, através de um processo denominado "diferenciação".
Nas fases iniciais do desenvolvimento humano, as células estaminais do embrião "diferenciam-se" em todos os tipos de células existentes no organismo - cérebro, ossos, coração, músculos, pele, etc.
Os cientistas estão entusiasmados com a possibilidade de controlar o espectacular poder natural destas células para curar vários tipos de doenças. Por exemplo, as doenças de Parkinson e Alzheimer resultam de lesões em grupos de determinadas células no cérebro. Ao fazer um transplante das células estaminais de um embrião para a parte do cérebro com lesões, os cientistas esperam substituir o tecido do cérebro que se perdeu.
Num futuro próximo, a investigação das células estaminais poderá revolucionar a forma de tratamento de muitas "doenças mortais" como, por exemplo, acidentes vasculares cerebrais, a diabetes, doenças cardíacas e até mesmo a paralisia.
As atitudes relativamente à utilização de células estaminais embrionárias para fins de investigação e tratamentos médicos variam de país para país. Na Alemanha, por exemplo, a remoção de células estaminais de um embrião humano é considerada ilegal.
Na Grã-Bretanha é legal mas, de acordo com regulamentos rigorosos, os cientistas britânicos podem utilizar embriões humanos para investigação até 14 dias após a fertilização. Nesta altura, o embrião é uma bola de células com cerca de um quarto do tamanho de uma cabeça de alfinete (0,2 mm).Muitos países ainda não possuem leis claras que regulem a investigação de células estaminais humanas.
Uma vez que a utilização de embriões é uma questão controversa eticamente, os cientistas em todo o mundo estão à procura de outras fontes de células estaminais. As células estaminais encontradas na medula óssea dos adultos são uma possibilidade. Estas células têm o potencial para se "diferenciarem" em diferentes glóbulos vermelhos ao longo do ciclo da vida.
No futuro, os cientistas esperam manipular estas células estaminais adultas para que, em vez de produzirem apenas glóbulos vermelhos possam produzir células do cérebro, fígado, coração e células nervosas.
Contudo, é provável que as células estaminais dos embriões apresentem, entretanto, as perspectivas mais imediatas para novos tratamentos e curas.

texto traduzido a partir de www.repromed.co.uk

Clonagem humana - os riscos

O objectivo da investigação da clonagem humana nunca foi clonar pessoas ou criar bebés para no futuro serem dadores de partes ou produtos humanos.
A investigação tem como objectivo obter células estaminais para curar doenças.
No entanto, os resultados das investigações da clonagem humana e em animais relativamente às células estaminais foram publicadas e, à semelhança de todas as descobertas científicas, estas publicações estão disponíveis ao nível mundial.
Era inevitável que um dia este conhecimento fosse mal utilizado. Agora, várias pessoas em todo o mundo anunciaram a sua intenção de clonar um bebé.
Estes indivíduos não trabalham para nenhuma universidade, hospital ou outra instituição governamental. No geral, a comunidade científica mundial opôs-se fortemente a quaisquer hipóteses de clonar um bebé.
Segundo John Kilner, presidente do Centre for Bioethics and Human Dignity nos Estados Unidos, "a maior parte da investigação publicada demonstra que a morte ou a mutilação do clone são os resultados mais prováveis da clonagem de mamíferos".
Ninguém sabe até que ponto é que a clonagem humana avançou realmente para criar um bebé. Em Abril de 2002, o cientista italiano Dr. Severino Antinori fez um comentário improvisado a um jornalista, afirmando que 3 mulheres já estariam grávidas de um embrião clonado. A partir dessa altura saiu das luzes da ribalta e nunca mais confirmou ou negou este comentário.
Os médicos consideram os riscos da clonagem humana muito elevados.
"Submeter os seres humanos à clonagem não é assumir um risco desconhecido, é prejudicar as pessoas conscientemente", afirma Kilner.
A maior parte dos cientistas é da mesma opinião. A grande maioria das tentativas de clonagem de um animal resultou em embriões deformados ou em abortos após a implantação. Muitos cientistas defende que os poucos animais clonados nascidos apresentam malformações que não são detectáveis através de exames ou de testes no útero como, por exemplo, deformações ao nível do revestimento dos pulmões.
Em 1996 foi clonada a ovelha Dolly. Foi o primeiro animal a ser clonado a partir do ADN de uma ovelha adulta, em vez de ser utilizado o ADN de um embrião. Embora a Dolly pareça suficientemente saudável, pôs-se a questão se ela iria envelhecer mais rapidamente do que uma ovelha normal. Além disso, foram precisas 277 tentativas para produzir a Dolly.
Quem é que aceitaria estas probabilidades numa experiência com bebés humanos?
No entanto, há quem concorde com a clonagem para ter um bebé. Por exemplo, pais que perderam um bebé e que querem substitui-lo, ou pessoas que querem ter os seus próprios filhos mas que não conseguem da maneira tradicional. Por exemplo, nos casos em que um homem não pode produzir esperma, pode fazer com que o seu próprio ADN seja introduzido no ovo da sua parceira, criando um clone dele próprio.
Recorreria à clonagem se esta fosse a sua única possibilidade de ter um filho? E quem é que queria que soubesse? Conseguiria identificar uma criança clonada?

Friday, March 17, 2006

Industria Biológica

Os negócios em torno do ADN transformaram-se numa industria altamente rentável em todo o mundo. É possível patentear-se animais modificados ou simples plasmideos da mesma forma com que se registam rádios ou livros. Os processos judiciais em torno da biotecnologia são imensos e por vezes envolvem mesmo interesses governamentais, como é o caso do Brasil e da Índia que pretendem proibir o registo e comercialização de todas as descobertas feitas a partir das espécies vivas originárias dos seus territórios.
As pesquisas são susceptíveis de exploração económica e esta é compreensível e aceitável, desde que reverta a favor do aprofundamento da pesquisa e comercialização a baixo custo, dos novos medicamentos e produtos.

Animais Transgénicos

Sabe-se que os animais de espécies diferentes não se podem cruzar, mas existem excepções. A fecundação artificial rodeou este obstáculo, construindo puzzles zoológicos que agrupam num só corpo os traços de espécies diferentes. A técnica embryo transfer permitiu, por exemplo, a junção dos óvulos fecundados de uma cabra e uma ovelha, combinando-os entre si. O embrião daí resultante foi transferido para o útero de uma ovelha que levou a gravidez até ao fim, tendo um filho quimera (ovabra ou cabrelha)Esta técnica permitiu também a exploração comercial de óvulos e esperma de animais de raça; os óvulos depois de fecundados in vitro são congelados e vendidos para todo o mundo onde são implantados em vacas comuns que farão progredir a gravidez. O público indirectamente e os produtores pressionam os biólogos; querem novos modelos de animais, mais férteis, maiores, com carnes mais refinadas. Querem incrementar a produção de raças exóticas como o novilho charolês ou a ovelha angora. E assim nascem as galinhas resistentes a doenças, os superporcos ou os coelhos com genéticas especiais.
Nem sempre as experiências são bem sucedidas ou bem fundamentadas e as imagens de animais transgénicos monstruosos, tornam-se do conhecimento público, alarmando-o.
Mas estas técnicas para além dos benefícios provados têm outras potencialidades: animais em vias de extinção, como o tigre da Sibéria ou o panda, podem perpetuar-se no útero emprestado de outra espécie, que não rejeite o embrião.Os animais trangénicos também são úteis para que se compreenda como é que os genes funcionam no organismo, sendo estas informações fundamentais para a compreensão da dinâmica de certas doenças como o cancro ou a SIDA.Animais Trangénicos

OGM: Novo estudo admite riscos de saúde em bebés por nascer

Uma nova pesquisa científica revelou que mulheres que comam alimentos OGM (Organismos Geneticamente Modificados) enquanto estiverem grávidas poderão prejudicar os seus bebés ainda por nascer. O estudo - levado a cabo por um cientista da Academia Russa de Ciências - descobriu que mais de metade da descencência de ratos alimentados com soja modificada morreu nas primeiras 3 semanas de vida, 6 vezes mais que os nascidos de mães alimentados com uma dieta normal. Apresentavam igualmente peso a menos. A pesquisa - que está a ser preparada para publicação - é apenas uma de uma série de recentes estudos que estão a fazer reviver os medos que os alimentos OGM prejudiquem a saúde humana. Um estudo italiano descobriu que a soja modificada afectava o fígado e o pâncreas dos ratos. A Austrália abandonou uma tentativa que durava há uma década de desenvolver amendoins modificados quando um estudo oficial revelou que provocavam danos nos pulmões. E no passado Maio o jornal Independent UK revelou um relatório secreto da gigante da biotecnologia Monsanto que demonstrava que os ratos com uma dieta rica em milho transgénico tinham rins mais pequenos e apresentavam mudanças na composição sanguínea, o que sugeria possíveis danos nos seus sistemas imunitários, do que aqueles com dietas convencionais. A FAO (Food and Agriculture Organization) realizou uma oficina sobre segurança nos OGMs nas suas instalações em Roma no final do ano passado. A oficina foi realizada por cientistas cujas pesquisas originaram preocupações acerca dos perigos para a saúde. Porém, a Organização Mundial do Comércio prepara-se para apoiar no próximo mês a proposta da administração Bush para forçar os países europeus a aceitarem os OGMs.

Fonte: Terra Viva

OGM e os direitos de informação

A ciência e a tecnologia permitiram o desenvolvimento e a difusão em massa de novos produtos. O ritmo de inovação é cada vez mais acelerado e a crescente complexidade dos produtos alimentares exigirá uma abordagem mais coerente e objectiva dos processos de decisão, que se baseará numa avaliação científica independente como condição indispensável para um elevado nível de protecção da saúde e segurança dos consumidores.
A segurança alimentar é uma responsabilidade partilhada por todos, não dependendo apenas de um elo da cadeia alimentar, mas que vai do produtor ao consumidor. A educação dos consumidores deve desempenhar um papel cada vez mais importante, encorajando os consumidores a serem activos.
Para efeitos da Directiva 2001/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de Março de 2001, relativa à libertação deliberada no ambiente de organismos geneticamente modificados (e que revoga a Directiva 90/220/CEE do Conselho) entende-se por Organismo Geneticamente Modificado (OGM), qualquer organismo (entidade biológica dotada de capacidade reprodutora ou de transferência de material genético), com excepção do ser humano, cujo material genético tenha sido modificado de uma forma que não ocorre naturalmente por meio de cruzamentos e/ou de recombinação natural.
Actualmente, a rotulagem de alimentos geneticamente modificados é regulada por vários instrumentos legislativos comunitários:
Regulamento (CE) n.º 1829/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de Setembro de 2003 relativo a géneros alimentícios e alimentos para animais, geneticamente modificados
Regulamento (CE) n.º 1830/2003 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 22 de Setembro de 2003 relativo à rastreabilidade e rotulagem de organismos geneticamente modificados e à rastreabilidade dos géneros alimentícios e alimentos para animais produzidos a partir de organismos geneticamente modificados e que altera a Directiva 2001/18/CE (J.O. L n.º 268 de 18/10/2003)

Passou a ser obrigatória, no rótulo ou na etiqueta, a menção 'Este produto contém organismos geneticamente modificados' ou 'é constituído ou foi produzido a partir de (nome do organismo geneticamente modificado)'.
Este ponto virá reforçar o direito dos consumidores à informação, dando-lhes a possibilidade de terem acesso à livre escolha de produtos e poderem efectuar uma selecção individual, entre os alimentos de produção tradicional e os manipulados geneticamente.
Para os consumidores a questão da rotulagem é essencial, mas em consequência dos métodos analíticos disponíveis, nem sempre será possível detectar a presença de proteína ou do ADN resultante dos organismos geneticamente modificados, por estes estarem presentes em pequenas quantidades. Foi estabelecido um limiar de 0,9% para a presença de material geneticamente modificado autorizado (e de 0,5% para os que, embora ainda não autorizados, possuam pelo menos um parecer favorável) para obrigar a que esse facto conste obrigatoriamente da respectiva rotulagem.
A rotulagem tem como objectivo responder a uma necessidade premente de permitir ao consumidor efectuar uma selecção individual e garantir que não seja induzido em erro e, por outro lado, promover o aumento da confiança do público e da eventual aceitação de alimentos geneticamente modificados.
A rastreabilidade, reforçada pelos 2 Regulamentos acima referidos, possibilita a garantia de um quadro harmonizado para acompanhamento do rasto dos OGMs e produtos produzidos a partir de OGM em todas as fases de colocação no mercado ao longo da cadeia de produção e distribuição.
Sempre que for colocado no mercado um produto que contenha ou seja constituído por OGM e que tenha sido adequadamente aprovado nos termos da Directiva 2001/18/CE, nenhum Estado-Membro pode proibir, restringir ou impedir a sua colocação no mercado, mas os respectivos produtores ficam obrigados a manter toda a documentação necessária para que possa ser conhecido e acompanhado o respectivo rasto, seja nos aspectos científicos, comerciais ou ecológicos.
Nesta fase de acesa controvérsia sobre os OGM, considera-se útil dar a conhecer:como é que se procede à divulgação e aprovação dos OGM;conhecer do ponto de vista científico os impactos ambientais e repercussões socioeconómicas;quem e como se produz alimentos transgénicos eo que a legislação determina acerca da informação ao consumidor.
A comercialização de OGM, só é permitida quando ocorre um prévio e exaustivo estudo científico e técnico, assegurado por autoridades competentes, o qual deve demonstrar a sua inocuidade para a saúde e meio ambiente.
Exemplos de OGM: soja, milho, tomate, batata,...
Em relação aos efeitos na saúde humana ainda não existe resposta, pois é necessário mais investigação científica e, entretanto, alguma precaução...
A propósito, pode ser consultado o site da Comissão Europeia contendo as últimas novidades na matéria

Mutações no vírus H5N1


Cientistas identificaram algumas das mutações que o vírus H5N1, da gripe aviária, teria de sofrer para fazer da população humana seu hospedeiro habitual, provocando uma temível pandemia.
O teste usado, chamado microordenação de glicanos, pode ser útil para monitorar o vírus em aves e humanos e para avaliar se ele sofre mutações que lhes permita o contágio entre pessoas, o que até agora não ocorreu.
Desde que reapareceu, em 2003, o H5N1 cruzou a Ásia e chegou à África e Europa, ganhando velocidade nas últimas semanas. Ele matou pouco mais de cem pessoas e continua a ser essencialmente uma enfermidade de aves.
Ninguém pode prever se e quando ele evoluirá para uma forma que permita o contágio entre humanos. Os cientistas examinam os vírus quando obtêm amostras e tentam prever quais mudanças são necessárias para que ele se torne específico de seres humanos.
Ian Wilson e uma equipa do Instituto Scripps de Pesquisas de La Jolla, Califórnia, examinaram uma estrutura, presente na superfície de todos os vírus da gripe, chamada hemaglutinina. Trata-se do "H" do nome H5N1, e há 16 tipos conhecidos desse grupo.
Só três deles ¿ H1, H2 e H3 ¿ já contaminaram humanos, provocando três grandes pandemias, em 1918, 57 e 68.
"Quando as pandemias começam, realmente não sabemos o quanto o vírus que primeiro entra na população humana está adaptado aos humanos", referiu Wilson
Em conjunto com outras instituições, a equipa dissecou e obteve imagens de uma amostra do vírus que matou um vietnamita de 10 anos em 2004. O estudo foi publicado na revista Science.
Eles concluíram que essa hemaglutinina é muito similar à do vírus que causou a pandemia de 1918, a chamada "gripe espanhola", que matou entre 50 e 100 milhões de pessoas. Por outro lado, essa amostra parecia menos semelhante com o H5N1 recolhido de um pato em Singapura.
A hemaglutinina permite que o vírus "se cole" na célula a ser infectada. Para isso ele usa uma estrutura da célula-alvo, chamada ácido siálico, que é ligeiramente diferente em cada espécie de animal.
Assim, para que haja mudança na espécie atingida, o vírus precisa sofrer mutações que lhe permitam, por exemplo, "colar" tanto numa célula dos pulmões humanos como numa de tripas de galinhas.
A equipa de Wilson identificou uma estrutura que, na configuração humana, se chama alfa 2-6 receptor, e nas aves é o alfa 2-3 receptor. O vírus precisa se alterar da configuração aviária para a humana a fim de provocar uma epidemia em pessoas.
"Esse passo crítico parece ser uma das razões pelas quais a maioria dos vírus da gripe aviária, não são facilmente transmissíveis entre humanos depois da transmissão aviário-humana".
Estudos anteriores demonstraram que seriam necessárias apenas duas mudanças para tornar o vírus de 1918 idêntico ao da gripe puramente aviária. Isso indica que a temida mutação pode não demorar muito.
O teste pode ajudar a monitorar essas alterações, segundo Wilson, sugerindo que ele seja usado amplamente nos locais afectados.
Mas, se o vírus ainda não sofreu a mutação, por que ele contamina pessoas? "Não é uma coisa ''tudo ou nada"'', explicou Wilson. "É uma preferência. Em doses mais altas, doses em que normalmente você e eu não transmitiríamos o vírus entre nós, é possível superar a barreira entre espécies."
Reuters

Como fazer uma vacina comestível

Batatas com antigénio de uma vacina